Me entrego ao cansaço e decido que irei dormir. Desligo o computador e me despeço de meus 'cyberamigos'. Vou à cozinha, pego um copo e o encho com bastante água gelada. Enquanto o copo enche, perco-me em meus pensamentos até perceber que a água transbordou o copo.
Recolho meus pertences: celular, fone de ouvido, caderno e estojo e encaminho-me para o quarto. Hoje o quarto é só meu, meu irmão não está aqui e, provavelmente, dormirá na casa de alguma mulher que aceitou seu déficit de beleza e superávit de azaração.
Solidão? Liberdade? Eu diria T-R-A-N-Q-U-L-I-D-A-D-E. Devemos tentar aprender a viver sozinho, depender dos outros sempre não é o mais indicado e além do mais, é na solidão que nos encontramos - como agora, por exemplo, que eu, prestes a dormir, gastei 15 linhas para contar o que fiz em dois minutos e meio.
Mas por favor, nunca se esqueçam que solidão demais endurece e dilacera o coração.
Paulo Pimenta
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
sábado, 4 de setembro de 2010
Eu reclamo, tu reclamas.
É, setembro chegou! As dificuldades e frustrações foram deixadas pra trás no impiedoso agosto. As pessoas até tentam, eu sei que tentam, mas o mês oito, sem nenhum feriado, sem nada-de-bom, é mesmo digno do nosso respeito? Aquele calor, aquela secura...
Mas o importante mesmo é que o atravessamos sem grandes perdas e desesperos.
Preste atenção: setembro bate à sua porta trazendo para você a lembrança de que sua listinha de planos feita no Reveillon tem apenas mais três meses para ser cumprida! Cuidado!
Dia desses estava pensando em como somos insatisfeitos. Os adjetivos com sentido negativo utilizados no início do texto foram apenas para que minha afirmação tivesse uma base.
- Menina do céu, não aguento mais esse clima seco. Meu nariz sangra todo dia, todo mundo fica suando no ônibus cheio, é um terror!
- Nossa coração, nem eu. Essa tal de “humildade” relativa do ar tá baixa mesmo né? Vi no DFTV de hoje. Que coisa né.
- Pois é. Lá em casa eu deixo os menino tudo se “banhá” de mangueira. Toda hora eu falo pra eles molharem a cabeça por causa do sol na muleira.
- Ainda bem que setembro já tá chegando e a seca vai embora de vez. Vem aquela chuva boa pra gente dormir gostoso.
Aí meus amigos, a época de chuvas, enfim, chega. E o que as pessoas fazem?
- Amiga você viu o tanto de estrago que essa chuva tá causando? Onti mesmo lá perto de casa uma árvore caiu em cima de um carro.
- Minha irmã, deixa eu te contar da maior. Tava eu, toda bonitona indo trabalhar de manhã, chovendo, aí todos os lugares que eu tinha que passar tavam cobertos de lama, me sujei todinha!
- Ixe! E o filho da patroa que bateu o carro por causa da pista molhada.
- Rum! Pior aconteceu comigo. Eu tava no ponto de ônibus e não me cabia lá dentro, fiquei ensopada! Fiquei indignada, esse governo não faz as coisas direito.
Quer saber mesmo o que nós somos? MAL AGRADECIDOS.
Gostamos mesmo é de reclamar, parece que está em nossa essência.
As pessoas, com a chuva, ficam menos amigas e hospitaleiras. Fecham a cara por tudo. Fazem aquela cara-de-metrô onde quer que estejam: olham fixamente pra frente, não dão abertura, não pensam em ajudar e só querem chegar ao destino final.
É como se elas achassem que fossem ficar molhadas para sempre. Como se a água que cai sobre elas, as penetrasse e as enchesse de sentimentos individualistas.
Mas a verdade é cada um carrega um pouco de sol dentro de si. Cada um espera apenas que a escuridão vá embora e deixe o clarão aparecer. Enxergar com os olhos do coração é a única maneira de deixar-se iluminado. As pessoas podem ser aquele sol da manhã, bem fraquinho, ou aquele sol de meio dia, super intenso. Basta que em seus âmagos, elas se deixem levar pelos astros dos bons ventos.
Paulo Pimenta
Mas o importante mesmo é que o atravessamos sem grandes perdas e desesperos.
Preste atenção: setembro bate à sua porta trazendo para você a lembrança de que sua listinha de planos feita no Reveillon tem apenas mais três meses para ser cumprida! Cuidado!
Dia desses estava pensando em como somos insatisfeitos. Os adjetivos com sentido negativo utilizados no início do texto foram apenas para que minha afirmação tivesse uma base.
- Menina do céu, não aguento mais esse clima seco. Meu nariz sangra todo dia, todo mundo fica suando no ônibus cheio, é um terror!
- Nossa coração, nem eu. Essa tal de “humildade” relativa do ar tá baixa mesmo né? Vi no DFTV de hoje. Que coisa né.
- Pois é. Lá em casa eu deixo os menino tudo se “banhá” de mangueira. Toda hora eu falo pra eles molharem a cabeça por causa do sol na muleira.
- Ainda bem que setembro já tá chegando e a seca vai embora de vez. Vem aquela chuva boa pra gente dormir gostoso.
Aí meus amigos, a época de chuvas, enfim, chega. E o que as pessoas fazem?
- Amiga você viu o tanto de estrago que essa chuva tá causando? Onti mesmo lá perto de casa uma árvore caiu em cima de um carro.
- Minha irmã, deixa eu te contar da maior. Tava eu, toda bonitona indo trabalhar de manhã, chovendo, aí todos os lugares que eu tinha que passar tavam cobertos de lama, me sujei todinha!
- Ixe! E o filho da patroa que bateu o carro por causa da pista molhada.
- Rum! Pior aconteceu comigo. Eu tava no ponto de ônibus e não me cabia lá dentro, fiquei ensopada! Fiquei indignada, esse governo não faz as coisas direito.
Quer saber mesmo o que nós somos? MAL AGRADECIDOS.
Gostamos mesmo é de reclamar, parece que está em nossa essência.
As pessoas, com a chuva, ficam menos amigas e hospitaleiras. Fecham a cara por tudo. Fazem aquela cara-de-metrô onde quer que estejam: olham fixamente pra frente, não dão abertura, não pensam em ajudar e só querem chegar ao destino final.
É como se elas achassem que fossem ficar molhadas para sempre. Como se a água que cai sobre elas, as penetrasse e as enchesse de sentimentos individualistas.
Mas a verdade é cada um carrega um pouco de sol dentro de si. Cada um espera apenas que a escuridão vá embora e deixe o clarão aparecer. Enxergar com os olhos do coração é a única maneira de deixar-se iluminado. As pessoas podem ser aquele sol da manhã, bem fraquinho, ou aquele sol de meio dia, super intenso. Basta que em seus âmagos, elas se deixem levar pelos astros dos bons ventos.
Paulo Pimenta
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Prazo de Validade
Produto: Paulo Henrique Pimenta da Silva
Data de Fabricação: 01/02/1992
Lote: Século XX
Data de Validade: Só/Deus/Sabe
Desculpem-me pela comparação de minha pessoa a um produto. Não, não o sou.
É que, na verdade, tantas coisas aconteceram nesses últimos dias que eu fiquei pensando se estaria eu, perto do vencimento.
Já passei por muita coisa nesses poucos – mas bem vividos – 18 anos. E foi a partir dessa afirmação, que veio como um furacão à minha cabeça, o surgimento da pergunta “O que mais acontecerá em minha vida?”, seguida da conclusão “Ah sim, já sei”.
Conversando sobre universidade com a família, esparramados pelo sofá de casa, minha irmã, minha mãe e eu vimos que pensamos um pouco diferente. Minha mãe me disse que quem tem Jesus no coração consegue tudo o que quer. Questionei-a, quase que agressivamente, dizendo: “Então quer dizer que quem é ateu não passa em vestibular, e vira um fracassado é?”. Minha irmã concordou comigo. Ponto pra mim. Não chegamos a uma conclusão, os pensamentos são muito diferentes. Acredito que mamãe tenha apenas se expressado mal, compreendo.
Você deve estar se perguntando qual é a relação desse último parágrafo com o título do texto, né?
Ok, vamos lá.
Pergunto-me o que Deus tem reservado para mim. Pergunto-me ainda por que Ele confia tanto em mim e me dá tudo o que quero. Será que é porque deposito tudo em Suas mãos? Ou será porque meu prazo é curto?
Façamos, pois, para melhor entendimento da situação, uma linha do tempo e daí veremos se tenho motivo ou não para tal preocupação. (rimou, argh!)
1992: Nasceu no primeiro dia do mês de fevereiro.
1998: Ingressou, aos 6 anos, na turma da 1ª série do Ensino Fundamental
2001: Começou a escrever um livro com os amigos. “Histórias Cruzadas”. Sim, usávamos pseudônimos.
2002: Fez 10 anos e já estava na 5ª série.
2003: Perdeu o pai.
2005: Terminou a 8ª série.
2006: Foi pro Ensino Médio.
2008: Completou o 3° ano do Ensino Médio e sabia do seu futuro.
2009: Fez intercâmbio/ Começou a faculdade de Jornalismo/ Começou a Faculdade de Letras/ Conseguiu seu primeiro estágio/ Consolidou amizades antigas e firmou novas.
2010: O 18° aniversário foi comemorado/ Teve grandes momentos e uma super viagem com os amigos/ Foi pro seu segundo estágio/ Foi pro seu terceiro estágio/ Foi pro seu quarto estágio/ Deixou de ser estagiário e foi contratado como repórter de um jornal da cidade/ Passou para o curso de Comunicação Social na Universidade de Brasília.
Ufa! Fora aquilo que me fez mal e que me obrigou a levantar muitas vezes.
Esse seria um ciclo de vida completo, não? Criar uma família não está em meus planos; plantar uma árvore também não. Já posso morrer? NÃO!
Cadê o Paulo Pimenta com um microfone em mãos à frente de uma câmera de TV? Cadê o Paulo Pimenta desfrutando dos prazeres de morar (nem que por um mês) em Nova Iorque? Cadê o Paulo Pimenta, em sua festa de formatura dançando valsa com sua mãe? Cadê o Paulo Pimenta morando sozinho preparando uma festa para os amigos (só os íntimos, desculpa, rs) em seu apartamento?
Deus, se o Senhor estiver lendo este meu post, deixe-me ficar aqui por mais MUITOS anos?
Caso seja necessário, pode me chamar para um recall de fábrica, ok?
Mas por favor, duplique meu prazo de validade.
Tenho muito a oferecer a quem me rodeia e tenho muitos sonhos que precisam ser realizados.
Hoje, 26 de agosto de 2010. (224 meses e 26 dias).
P.S.: Não se esqueça de me agitar antes de me usar.
Paulo Pimenta
Data de Fabricação: 01/02/1992
Lote: Século XX
Data de Validade: Só/Deus/Sabe
Desculpem-me pela comparação de minha pessoa a um produto. Não, não o sou.
É que, na verdade, tantas coisas aconteceram nesses últimos dias que eu fiquei pensando se estaria eu, perto do vencimento.
Já passei por muita coisa nesses poucos – mas bem vividos – 18 anos. E foi a partir dessa afirmação, que veio como um furacão à minha cabeça, o surgimento da pergunta “O que mais acontecerá em minha vida?”, seguida da conclusão “Ah sim, já sei”.
Conversando sobre universidade com a família, esparramados pelo sofá de casa, minha irmã, minha mãe e eu vimos que pensamos um pouco diferente. Minha mãe me disse que quem tem Jesus no coração consegue tudo o que quer. Questionei-a, quase que agressivamente, dizendo: “Então quer dizer que quem é ateu não passa em vestibular, e vira um fracassado é?”. Minha irmã concordou comigo. Ponto pra mim. Não chegamos a uma conclusão, os pensamentos são muito diferentes. Acredito que mamãe tenha apenas se expressado mal, compreendo.
Você deve estar se perguntando qual é a relação desse último parágrafo com o título do texto, né?
Ok, vamos lá.
Pergunto-me o que Deus tem reservado para mim. Pergunto-me ainda por que Ele confia tanto em mim e me dá tudo o que quero. Será que é porque deposito tudo em Suas mãos? Ou será porque meu prazo é curto?
Façamos, pois, para melhor entendimento da situação, uma linha do tempo e daí veremos se tenho motivo ou não para tal preocupação. (rimou, argh!)
1992: Nasceu no primeiro dia do mês de fevereiro.
1998: Ingressou, aos 6 anos, na turma da 1ª série do Ensino Fundamental
2001: Começou a escrever um livro com os amigos. “Histórias Cruzadas”. Sim, usávamos pseudônimos.
2002: Fez 10 anos e já estava na 5ª série.
2003: Perdeu o pai.
2005: Terminou a 8ª série.
2006: Foi pro Ensino Médio.
2008: Completou o 3° ano do Ensino Médio e sabia do seu futuro.
2009: Fez intercâmbio/ Começou a faculdade de Jornalismo/ Começou a Faculdade de Letras/ Conseguiu seu primeiro estágio/ Consolidou amizades antigas e firmou novas.
2010: O 18° aniversário foi comemorado/ Teve grandes momentos e uma super viagem com os amigos/ Foi pro seu segundo estágio/ Foi pro seu terceiro estágio/ Foi pro seu quarto estágio/ Deixou de ser estagiário e foi contratado como repórter de um jornal da cidade/ Passou para o curso de Comunicação Social na Universidade de Brasília.
Ufa! Fora aquilo que me fez mal e que me obrigou a levantar muitas vezes.
Esse seria um ciclo de vida completo, não? Criar uma família não está em meus planos; plantar uma árvore também não. Já posso morrer? NÃO!
Cadê o Paulo Pimenta com um microfone em mãos à frente de uma câmera de TV? Cadê o Paulo Pimenta desfrutando dos prazeres de morar (nem que por um mês) em Nova Iorque? Cadê o Paulo Pimenta, em sua festa de formatura dançando valsa com sua mãe? Cadê o Paulo Pimenta morando sozinho preparando uma festa para os amigos (só os íntimos, desculpa, rs) em seu apartamento?
Deus, se o Senhor estiver lendo este meu post, deixe-me ficar aqui por mais MUITOS anos?
Caso seja necessário, pode me chamar para um recall de fábrica, ok?
Mas por favor, duplique meu prazo de validade.
Tenho muito a oferecer a quem me rodeia e tenho muitos sonhos que precisam ser realizados.
Hoje, 26 de agosto de 2010. (224 meses e 26 dias).
P.S.: Não se esqueça de me agitar antes de me usar.
Paulo Pimenta
Falta sentimento.
Tudo bem, já entendi que tenho mais osso do que carne porque preciso ser duro. É como um carma. Duro de dinheiro, duro na queda. Duro. Mas duro assim? Sem nenhum sentimento? O que o coração tem a ver com isso? Me explica daquele jeito que só você sabe? Aguardo resposta.
Paulo Pimenta
Paulo Pimenta
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Deixe-me deitar em seu colo mais uma vez; afague meus cabelos.
-“Pai? Pai? O senhor tá aí? Tá me ouvindo?”
Sabe, pai, não sabia como começar a escrever um texto dedicado inteiramente ao senhor – na verdade não sei até agora. As palavras me faltam, as pernas ficam bambas. É uma respiração que vai ficando ofegante e lágrimas que vem com força total mas são barradas antes de cair por minhas bochechas.
Esse último Dia dos Pais foi um dos mais difíceis desde que o senhor se foi. Minto, ele superou todos os outros em questão de saudade. A intenção, ao escrever este texto, não é emocionar ninguém, tampouco fazer drama do tipo “olha lá 'o-menino-sem-pai'”, aliás, o senhor sabe bem o quanto eu odeio que me vitimem ou me vitimar em relação a isso. A verdadeira intenção de reunir todas essas palavras que vim aprendendo ao longo dos anos aqui, é, acima de tudo, tecer um tapete de palavras para representar a conversa que há muito tempo não temos.
Acho que daí de cima, você tem acompanhado todas as minhas conquistas e todos os medos que vêm me assombrando por tanto tempo.
Eu gostei de te visitar no último sábado. Tava triste. Tirei o dia pra sair sozinho, sem ninguém. Dei férias de mim de 1 dia pros meus amigos. Fiquei pouco tempo, eu sei. Mas ah, valeu à pena pra gente poder trocar umas ideias legais né?! (rs) Falando em amigo, o que o senhor tá achando das minhas novas companhias? Já levei alguns pra te conhecer, e os outros, você deve ter visto por aí, sempre ao meu lado.
A mãe está bem, às vezes ela dá a louca lá em casa, mas é porque tem muita coisa na cabeça dela, né? Coitada. Foi barra pra ela deixar a vida de esposa e assumir a vida de “Mulher da Casa”. Ai ai, complicado.
A Karla está bem, ela é a mais dramática – como sempre né? (risos). Teve um filho, o Iaguinho, ele já foi lá te visitar e ainda é meio confuso com a história do senhor ter deixado a gente.
O Kleber tá bem também. Além da Lili, que já está uma moça e você chegou a conhecer, veio o Guilherme, super carinhoso. Acho que o senhor de divertiria bastante com os meninos. E eu, ficaria com muito ciúme, lógico.
Ah pai, eu estou bem. Terminei a escola aonde o senhor sempre quis e entrei na faculdade. Acho que o senhor iria adorar o fato de eu ter escolhido jornalismo, íamos conversar todos os dias. Vixe, fiz um intercâmbio também (e não adianta negar, sei que teve uma mãozinha aí de cima!). O Canadá é lindo e eu adorei, obrigado. E agora vem o melhor de tudo: estou trabalhando! Consegui um emprego, é emprego mesmo, não é estágio não, num jornal aqui da cidade. Fico imaginando a sua cara de orgulho ao ler minhas matérias, juro que fico. Ei pai, quase esqueci de contar, PASSEI NA UnB, mas calma, não se empolgue, já tranquei... Ah, não dava certo não, o curso de Letras não foi o que eu esperava e eu nem ia ficar me dedicando à toa.
Vezenquando eu fico lembrando daquelas tardes que a gente ficava em casa juntos, fazendo nada, lembra? Das vezes que a gente ia esperar minha irmã em algum lugar e ficávamos fazendo planos caso ganhássemos na loteria. Lembra do cachorro-quente que o senhor fez pra mim? Lembra que não tinha molho também? Rio sempre quando lembro disso. Quando iremos assistir outro jogo do Botafogo no estádio? Quando soltaremos pipa durante uma tarde inteira mais uma vez?
Lembro também do nosso último adeus. O fato vem à minha cabeça como se fosse ontem. Eu, na escada de casa, pronto pra ir pro shopping, e o senhor indo pro hospital, tão grande era a dor que te afligia.
Querido pai, sinto falta de nossas conversas. Sinto falta, hoje, de uma conversa de homem pra homem. Em breve nos encontraremos, enquanto isso, fique tranquilo que os meninos, os meus amigos, estão me tratando super bem e não me deixam faltar nada (quase nada). As pessoas comentam o quanto somos parecidos fisicamente e como minhas atitudes parecem com as suas.
Você foi sim meu herói meu bandido. Você foi quem mais me ensinou. É por causa do senhor que sou esse menino prestativo e preocupado com as pessoas. É também por influência sua que tento abraçar o mundo com meus dois braços e aguentar os problemas de todos em minha cabeça.
Dê um abraço em todos aí.
Se cuida, tá?!
Amo o senhor, saiba sempre disso.
Com amor,
Seu eterno companheiro e maior admirador, Paulo Pimenta.
P.S.: Agora que terminei de escrever esta carta, a lerei para o senhor, pois sei que estás ao meu lado neste exato momento.
Paulo Pimenta
Sabe, pai, não sabia como começar a escrever um texto dedicado inteiramente ao senhor – na verdade não sei até agora. As palavras me faltam, as pernas ficam bambas. É uma respiração que vai ficando ofegante e lágrimas que vem com força total mas são barradas antes de cair por minhas bochechas.
Esse último Dia dos Pais foi um dos mais difíceis desde que o senhor se foi. Minto, ele superou todos os outros em questão de saudade. A intenção, ao escrever este texto, não é emocionar ninguém, tampouco fazer drama do tipo “olha lá 'o-menino-sem-pai'”, aliás, o senhor sabe bem o quanto eu odeio que me vitimem ou me vitimar em relação a isso. A verdadeira intenção de reunir todas essas palavras que vim aprendendo ao longo dos anos aqui, é, acima de tudo, tecer um tapete de palavras para representar a conversa que há muito tempo não temos.
Acho que daí de cima, você tem acompanhado todas as minhas conquistas e todos os medos que vêm me assombrando por tanto tempo.
Eu gostei de te visitar no último sábado. Tava triste. Tirei o dia pra sair sozinho, sem ninguém. Dei férias de mim de 1 dia pros meus amigos. Fiquei pouco tempo, eu sei. Mas ah, valeu à pena pra gente poder trocar umas ideias legais né?! (rs) Falando em amigo, o que o senhor tá achando das minhas novas companhias? Já levei alguns pra te conhecer, e os outros, você deve ter visto por aí, sempre ao meu lado.
A mãe está bem, às vezes ela dá a louca lá em casa, mas é porque tem muita coisa na cabeça dela, né? Coitada. Foi barra pra ela deixar a vida de esposa e assumir a vida de “Mulher da Casa”. Ai ai, complicado.
A Karla está bem, ela é a mais dramática – como sempre né? (risos). Teve um filho, o Iaguinho, ele já foi lá te visitar e ainda é meio confuso com a história do senhor ter deixado a gente.
O Kleber tá bem também. Além da Lili, que já está uma moça e você chegou a conhecer, veio o Guilherme, super carinhoso. Acho que o senhor de divertiria bastante com os meninos. E eu, ficaria com muito ciúme, lógico.
Ah pai, eu estou bem. Terminei a escola aonde o senhor sempre quis e entrei na faculdade. Acho que o senhor iria adorar o fato de eu ter escolhido jornalismo, íamos conversar todos os dias. Vixe, fiz um intercâmbio também (e não adianta negar, sei que teve uma mãozinha aí de cima!). O Canadá é lindo e eu adorei, obrigado. E agora vem o melhor de tudo: estou trabalhando! Consegui um emprego, é emprego mesmo, não é estágio não, num jornal aqui da cidade. Fico imaginando a sua cara de orgulho ao ler minhas matérias, juro que fico. Ei pai, quase esqueci de contar, PASSEI NA UnB, mas calma, não se empolgue, já tranquei... Ah, não dava certo não, o curso de Letras não foi o que eu esperava e eu nem ia ficar me dedicando à toa.
Vezenquando eu fico lembrando daquelas tardes que a gente ficava em casa juntos, fazendo nada, lembra? Das vezes que a gente ia esperar minha irmã em algum lugar e ficávamos fazendo planos caso ganhássemos na loteria. Lembra do cachorro-quente que o senhor fez pra mim? Lembra que não tinha molho também? Rio sempre quando lembro disso. Quando iremos assistir outro jogo do Botafogo no estádio? Quando soltaremos pipa durante uma tarde inteira mais uma vez?
Lembro também do nosso último adeus. O fato vem à minha cabeça como se fosse ontem. Eu, na escada de casa, pronto pra ir pro shopping, e o senhor indo pro hospital, tão grande era a dor que te afligia.
Querido pai, sinto falta de nossas conversas. Sinto falta, hoje, de uma conversa de homem pra homem. Em breve nos encontraremos, enquanto isso, fique tranquilo que os meninos, os meus amigos, estão me tratando super bem e não me deixam faltar nada (quase nada). As pessoas comentam o quanto somos parecidos fisicamente e como minhas atitudes parecem com as suas.
Você foi sim meu herói meu bandido. Você foi quem mais me ensinou. É por causa do senhor que sou esse menino prestativo e preocupado com as pessoas. É também por influência sua que tento abraçar o mundo com meus dois braços e aguentar os problemas de todos em minha cabeça.
Dê um abraço em todos aí.
Se cuida, tá?!
Amo o senhor, saiba sempre disso.
Com amor,
Seu eterno companheiro e maior admirador, Paulo Pimenta.
P.S.: Agora que terminei de escrever esta carta, a lerei para o senhor, pois sei que estás ao meu lado neste exato momento.
Paulo Pimenta
Meu eu que me impede
Todos os dias proponho a mim mesmo aceitar que ninguém é de ninguém. Não é fácil mas eu tento, acredite.
Paulo Pimenta
Paulo Pimenta
sábado, 24 de julho de 2010
Militarismo selvagem
Teatro. Não há outra palavra capaz de definir, melhor do que esta, o militarismo no Brasil. Tal conclusão veio após minha ida ao Batalhão para cumprir com a lei e, finalmente, após meu alistamento, apresentar-me.
Cheguei às 06:48h ao local da apresentação. Lá, dezenas de moleques-homens de 18 anos aguardavam, divididos em três filas, para entrar. Escolhi a fila menor e entrei rapidamente. Acho que o portão pelo qual passei, é como a porta do inferno – tive esta sensação. Fazia frio, muito frio mesmo. Vou contar um segredo pra vocês: não aturo pessoas que gritam comigo, tenho enorme repudio delas. Já da pra imaginar o que aconteceu, né? Um soldado (é, essas pessoas que não tem escolaridade, nunca foram superiores a ninguém e acham que têm moral) começou a gritar loucamente, dizendo palavras de baixo calão, tentando colocar medo nos meninos que ali aguardavam. De fato, conseguiu. Fui ficando nervoso, sem saber o que me esperaria mais à frente. Senti-me no Coliseu, onde aquele soldado era um dos leões e eu era um gladiador. Foi como se ele estivesse ali para animar seus outros companheiros de serviço, que, ao fundo, assistiam àquela representação ridícula. Ainda assim, centenas de pais assistiam, de longe, seus filhos – seus agora homenzinhos, vivendo o sonho (?) de servir à “[...] Pátria amada, Brasil.” Pátria amada? Como é possível apreciar um país com um incentivo desses? Jurar a bandeira? Ah, faça-me o favor. Milhares de pessoas queimam e rasgam a bandeira após uma simples eliminação da Copa do Mundo... Infelizmente não fomos nem seremos nunca educados a ser patriotas. Somos patriotas apenas quando o país vai bem.
Passado isso, esses momentos de gritaria, a sacanagem começou. Os nomes dos jovens foram chamados em voz alta, o que dava cartas para os soldados, mais uma vez, serem os atores daquela peça (ao final quase bati palmas, de verdade, de tão boa que foi a atuação deles). Nomes muitas vezes estranhos, cabelos estranhos, roupas estranhas, acessórios estranhos, mas a mesma alma e essência sempre: a de um ser humano, digno de respeito acima de qualquer coisa. Pude ver na face de cada uma das pessoas que viraram motivo de chacota, o ódio, a indignação. Após a bateria de exames e de muita humilhação, a cortina se fechou para uma parte da plateia. O espetáculo que fora iniciado naquela manhã, encerrou-se com a dispensa de alguns sortudos. Eu, graças a Deus, estava nesse grupo. Já era hora deles irem para os alojamentos e ensaiarem mais um pouco para o dia seguinte, acredito.
“Ordem e Progresso” neste país com os militares sendo preparados dessa maneira? Paciência. Se no Reino Unido há a frase “God save the Queen” (Deus salve a Rainha), aqui, para nós, deveria ser “God save the military” (Deus salve os militares). Vamos fazer alguma coisa para mudar nosso país. Paulo Pimenta.
Cheguei às 06:48h ao local da apresentação. Lá, dezenas de moleques-homens de 18 anos aguardavam, divididos em três filas, para entrar. Escolhi a fila menor e entrei rapidamente. Acho que o portão pelo qual passei, é como a porta do inferno – tive esta sensação. Fazia frio, muito frio mesmo. Vou contar um segredo pra vocês: não aturo pessoas que gritam comigo, tenho enorme repudio delas. Já da pra imaginar o que aconteceu, né? Um soldado (é, essas pessoas que não tem escolaridade, nunca foram superiores a ninguém e acham que têm moral) começou a gritar loucamente, dizendo palavras de baixo calão, tentando colocar medo nos meninos que ali aguardavam. De fato, conseguiu. Fui ficando nervoso, sem saber o que me esperaria mais à frente. Senti-me no Coliseu, onde aquele soldado era um dos leões e eu era um gladiador. Foi como se ele estivesse ali para animar seus outros companheiros de serviço, que, ao fundo, assistiam àquela representação ridícula. Ainda assim, centenas de pais assistiam, de longe, seus filhos – seus agora homenzinhos, vivendo o sonho (?) de servir à “[...] Pátria amada, Brasil.” Pátria amada? Como é possível apreciar um país com um incentivo desses? Jurar a bandeira? Ah, faça-me o favor. Milhares de pessoas queimam e rasgam a bandeira após uma simples eliminação da Copa do Mundo... Infelizmente não fomos nem seremos nunca educados a ser patriotas. Somos patriotas apenas quando o país vai bem.
Passado isso, esses momentos de gritaria, a sacanagem começou. Os nomes dos jovens foram chamados em voz alta, o que dava cartas para os soldados, mais uma vez, serem os atores daquela peça (ao final quase bati palmas, de verdade, de tão boa que foi a atuação deles). Nomes muitas vezes estranhos, cabelos estranhos, roupas estranhas, acessórios estranhos, mas a mesma alma e essência sempre: a de um ser humano, digno de respeito acima de qualquer coisa. Pude ver na face de cada uma das pessoas que viraram motivo de chacota, o ódio, a indignação. Após a bateria de exames e de muita humilhação, a cortina se fechou para uma parte da plateia. O espetáculo que fora iniciado naquela manhã, encerrou-se com a dispensa de alguns sortudos. Eu, graças a Deus, estava nesse grupo. Já era hora deles irem para os alojamentos e ensaiarem mais um pouco para o dia seguinte, acredito.
“Ordem e Progresso” neste país com os militares sendo preparados dessa maneira? Paciência. Se no Reino Unido há a frase “God save the Queen” (Deus salve a Rainha), aqui, para nós, deveria ser “God save the military” (Deus salve os militares). Vamos fazer alguma coisa para mudar nosso país. Paulo Pimenta.
Meus devaneios
Tenho sonhos infinitamente maiores do que eu e projetos absurdamente mais complexos do que minha cabeça. Deixo-os, porém, muito bem guardados em um lugar particular, onde ninguém conseguirá, jamais, encontrá-los. Guardo-os em meu âmago. Lidar com o que parece ser impossível, é complicado, sei bem. Mas não existem coisas impossíveis, né? Na verdade, não sei. Talvez porque eu tenha sido tomado por completo, há alguns anos, por alguns devaneios, que certas pessoas chamam de utopia. Será que acreditar em si é algo tão surreal? Admiro aqueles que têm essa facilidade de “ficar em paz” consigo mesmo. Venho lutando contra a maré de sentimentos e possibilidades que tentam, de alguma maneira, desviar-me daquilo que, hoje, seria minha maior realização. Desse jeito, continuo minha caminhada. Não há tantas pedras ou estradas como já fora citado por alguns tantos poetas em seus textos. Em minha vida, apesar de minha pouca idade, encontro apenas a dificuldade para enfrentar a batalha que me é travada diariamente: Acreditar que, de fato, alcançarei o que tanto almejo com o devido merecimento. Paulo Pimenta
Assinar:
Postagens (Atom)